sábado, 20 de maio de 2017

Mal resolvida

Anos de terapia não me tornaram uma pessoa bem resolvida. Quem dera tivesse feito! Continuo com medos, inseguranças e angústias, que às vezes tomam conta de mim. São sentimentos que, volta e meia, me paralisam.

Bem que eu gostaria de ser mais assertiva, destemida e descolada. Com coragem, de sobra, para encarar qualquer desafio sem titubear. No entanto, eu vacilo, eu travo, eu tenho medo!

E não é medo apenas das coisas ruins. Eu também tenho medo das coisas boas. Fico apavorada quando algo que desejo, muito, começa a dar certo. No fundo, no fundo, tenho vontade de sair correndo quando percebo que está tudo ok. Difícil de entender? Tenham certeza que é mais difícil viver tudo isso; porque eu simplesmente travo diante de situações que podem me trazer alegria.

É... eu sou o tipo de pessoa que hesita antes de entrar no trem. Que fica parada olhando para o ticket com medo de embarcar. Sou daquelas que reflete muito, mas muito mesmo, antes de entrar no vagão e aproveitar a viagem - mesmo desejando muito descobrir as surpresas que me aguardam no fim do destino. Eu penso, sofro e hesito antes de seguir em frente. E sei que com essa atitude já perdi inúmeras viagens (mas não só elas). Devo ter perdido muitos empregos e muitos amores também. Aliás, acredito que deixei de viver muitas histórias de amor, por conta desse caos interno que toma conta de mim.

Por outro lado, estou me tornando alguém que tem coragem para falar o que sente. E eu sei que agir assim, em um mundo onde esconder os sentimentos tornou-se normal, é um sinal de muita coragem, não é mesmo? Agora, eu falo o que sinto vontade, sem vacilar. Mesmo correndo o risco de ser tachada de piegas, romântica ou careta. Não tenho mais medo de expor os meus sentimentos e fraquezas. Não me importa que vivemos em um mundo de “personas” perfeitas, decididas e bem resolvidas. Eu não sou assim. E não quero viver essa personagem, porque eu sou de verdade. Eu não sou fake.








domingo, 8 de janeiro de 2017

Mulheres de 20 x mulheres de 30

Nessa semana li uns três artigos sobre as diferenças entre as mulheres de 20 e 30 anos. Mas será que somos tão diferentes assim? Por incrível que pareça somos sim! Há muita diferença entre as meninas, recém saídas do colegial, e as mulheres de 30, já calejadas por algumas experiências.


Aos trinta anos ficamos mais seletivas e essa seleção é aplicada em vários aspectos de nossas vidas: roupas, relacionamentos, amizades, trabalho... Não estamos mais na fase de experimentar, de se submeter a qualquer situação, só pelo prazer da novidade. Nessa idade já desbravamos alguns territórios desconhecidos e sabemos o que funciona ou não para nós. Short curtíssimo, por exemplo, não funciona. A não ser que seja para usá-los, num dia de calor intenso, dentro de casa. Blusinha mostrando a barriga, então, nem pensar! Já a maquiagem passa ser uma ótima aliada para nós, mulheres balzaquianas. Ela esconde as olheiras, disfarça aquelas manchas na pele, que antes dos trinta anos não existiam, e nos deixam com um aspecto mais jovial e saudável.


Outra diferença é no campo profissional. Aos 20 anos temos uma visão mais idealista em relação a nossa carreira. Acreditamos que podemos conquistar o mundo e, muitas vezes, nos sentimos a última bolacha do pacote, mesmo sendo apenas estagiárias. Já aos 30 nos tornamos mais realistas e, embora saibamos da nossa capacidade e valor, enquanto profissionais, já não nos deslumbramos com isso. Temos consciência de que somos mais uma no meio de milhares e de que precisamos trabalhar muito e estudar mais ainda para um dia, bem lá na frente, sermos profissionais reconhecidas. 


No campo afetivo a história também é diferente. Aos 20 anos nós nos jogamos em qualquer relacionamento, de olhos fechados, sem medo de sofrer. Estamos dispostas a arriscar todas as fichas, mesmo que o sujeito não valha nem um real. Somos menos criteriosas e mais fogosas... Aos 20 anos estamos de coração aberto e queremos aproveitar todas as oportunidades e novidades; nessa fase a quantidade vale mais do que a qualidade. Aos 30 anos não temos mais paciência para homens mal educados, mal estruturados e mal escolarizados. O fator beleza torna-se secundário, queremos um homem honesto, de bom caráter e bom coração. Queremos um sujeito maduro, não de idade, mas sim na maneira de agir. Não queremos um homem para nos sufocar ou nos podar, só queremos alguém que nos valorize, nos respeite e nos acolha em dias de sol ou chuva.


Resumindo: acho que os 20 anos estão para os sonhos, assim como os 30 anos estão para a realização. Aos 30 anos nós só queremos concretizar - não grandes obras, nem grandes feitos ou grandes amores. Nós, balzaquianas, queremos realizar as coisas simples, que fazem sentido para nós e para as nossas vidas. Nessa fase nós só queremos que os nossos projetos e desejos se materializem, na medida do possível, sem grandes alardes, fantasias ou pretensões. Nessa idade já sabemos que não podemos fazer tudo, mas que podemos melhorar muitas coisas ao nosso redor, dando um passo de cada vez; e acima de tudo é um momento em que só queremos ser felizes, sem nenhuma ilusão. Mas com muita convicção.



Camila Santos