segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Um brinde



Um brinde às histórias de amor mal resolvidas, aos noivados desfeitos e aos casamentos que acabaram antes do tempo.

Um brinde aos amores não correspondidos, a todas as vezes em que ficamos com o coração partido e com o ego ferido.

Um brinde às bocas que não se encaixaram, aos olhares que não se cruzaram e às mãos que não se entrelaçaram.

Um brinde aos encontros presenciais que não deram certo e aos virtuais fadados ao insucesso.

Um brinde às mensagens de amor ignoradas, não visualizadas ou deletadas.

Um brinde às transas malsucedidas, aos coitos interrompidos e aos orgasmos fingidos.

Um brinde por todas as vezes em que tropeçamos na carência, na ilusão ou na paixão.

Um brinde às vezes em que fomos o algoz ou a vítima.

Um brinde a todas as coisas que deram errado. E um brinde ainda maior a tudo que pode dar certo!

Camila Santos


domingo, 18 de junho de 2017

O Sol

Ei dor...eu não te escuto mais,
Você, não me leva a nada.
Ei medo...eu não te escuto mais,
Você, não me leva a nada.
E se quiser saber pra onde eu vou,
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou
E se quiser saber pra onde eu vou,
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou

Ei dor...eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei medo...eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou
E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou

Yeah
Caminho do sol baby
Lalalalala
Caminho do sol baby

E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou
E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou
E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou
E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou
E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou

Jota Quest


terça-feira, 6 de junho de 2017

Maresia

O meu amor me deixou
levou minha identidade
não sei mais bem onde estou
nem onde há realidade

Ah, se eu fosse marinheiro
era eu quem tinha partido
mas meu coração ligeiro
não se teria partido

ou se partisse colava
com cola de maresia
eu amava e desamava
sem peso e com poesia

Ah, se eu fosse marinheiro
seria doce meu lar
não só o Rio de Janeiro
a imensidão e o mar

leste oeste norte sul
onde um homem se situa
quando o sol sobre o azul
ou quando no mar a lua

não buscaria conforto
nem juntaria dinheiro
um amor em cada porto

Ahhhhhh se eu fosse marinheiro...
não pensaria em dinheiro
um amor em cada porto...


Ahhhhhh se eu fosse marinheiro...

sábado, 20 de maio de 2017

Mal resolvida

Anos de terapia não me tornaram uma pessoa bem resolvida. Quem dera tivesse transformado. Continuo com medos, inseguranças e angústias, que às vezes tomam conta de mim. São sentimentos que, volta e meia, me paralisam.

Bem que eu gostaria de ser mais assertiva, destemida e descolada. Com coragem, de sobra, para encarar qualquer desafio sem titubear. No entanto, eu vacilo, eu travo, eu tenho medo!

E não é medo apenas das coisas ruins. Eu também tenho medo das coisas boas. Fico apavorada quando algo que desejo, muito, começa a dar certo. No fundo, no fundo, tenho vontade de sair correndo quando percebo que está tudo ok. Difícil de entender? Tenham certeza que é mais difícil viver tudo isso; porque eu simplesmente travo diante de situações que podem me trazer alegria.

É... eu sou o tipo de pessoa que hesita antes de entrar no trem. Que fica parada olhando para o ticket com medo de embarcar. Sou daquelas que reflete muito, mas muito mesmo, antes de entrar no vagão e aproveitar a viagem - mesmo desejando muito descobrir as surpresas que me aguardam no fim do destino. Eu penso, sofro e hesito antes de seguir em frente. E sei que com essa atitude já perdi inúmeras viagens (mas não só elas). Devo ter perdido muitos empregos e muitos amores também. Aliás, acredito que deixei de viver muitas histórias de amor, por conta desse caos interno que toma conta de mim.

Por outro lado, estou me tornando alguém que tem coragem para falar o que sente. E eu sei que agir assim, em um mundo onde esconder os sentimentos tornou-se normal, é um sinal de muita coragem, não é mesmo? Agora, eu falo o que sinto vontade, sem vacilar. Mesmo correndo o risco de ser tachada de piegas, romântica ou careta. Não tenho mais medo de expor os meus sentimentos e fraquezas. Não me importa que vivemos em um mundo de “personas” perfeitas, decididas e bem resolvidas. Eu não sou assim. E não quero viver essa personagem, porque eu sou de verdade. Eu não sou fake.








domingo, 8 de janeiro de 2017

Mulheres de 20 x mulheres de 30

Nessa semana li uns três artigos sobre as diferenças entre as mulheres de 20 e 30 anos. Mas será que somos tão diferentes assim? Por incrível que pareça somos sim! Há muita diferença entre as meninas, recém saídas do colegial, e as mulheres de 30, já calejadas por algumas experiências.


Aos trinta anos ficamos mais seletivas e essa seleção é aplicada em vários aspectos de nossas vidas: roupas, relacionamentos, amizades, trabalho... Não estamos mais na fase de experimentar, de se submeter a qualquer situação, só pelo prazer da novidade. Nessa idade já desbravamos alguns territórios desconhecidos e sabemos o que funciona ou não para nós. Short curtíssimo, por exemplo, não funciona. A não ser que seja para usá-los, num dia de calor intenso, dentro de casa. Blusinha mostrando a barriga, então, nem pensar! Já a maquiagem passa ser uma ótima aliada para nós, mulheres balzaquianas. Ela esconde as olheiras, disfarça aquelas manchas na pele, que antes dos trinta anos não existiam, e nos deixam com um aspecto mais jovial e saudável.


Outra diferença é no campo profissional. Aos 20 anos temos uma visão mais idealista em relação a nossa carreira. Acreditamos que podemos conquistar o mundo e, muitas vezes, nos sentimos a última bolacha do pacote, mesmo sendo apenas estagiárias. Já aos 30 nos tornamos mais realistas e, embora saibamos da nossa capacidade e valor, enquanto profissionais, já não nos deslumbramos com isso. Temos consciência de que somos mais uma no meio de milhares e de que precisamos trabalhar muito e estudar mais ainda para um dia, bem lá na frente, sermos profissionais reconhecidas. 


No campo afetivo a história também é diferente. Aos 20 anos nós nos jogamos em qualquer relacionamento, de olhos fechados, sem medo de sofrer. Estamos dispostas a arriscar todas as fichas, mesmo que o sujeito não valha nem um real. Somos menos criteriosas e mais fogosas... Aos 20 anos estamos de coração aberto e queremos aproveitar todas as oportunidades e novidades; nessa fase a quantidade vale mais do que a qualidade. Aos 30 anos não temos mais paciência para homens mal educados, mal estruturados e mal escolarizados. O fator beleza torna-se secundário, queremos um homem honesto, de bom caráter e bom coração. Queremos um sujeito maduro, não de idade, mas sim na maneira de agir. Não queremos um homem para nos sufocar ou nos podar, só queremos alguém que nos valorize, nos respeite e nos acolha em dias de sol ou chuva.


Resumindo: acho que os 20 anos estão para os sonhos, assim como os 30 anos estão para a realização. Aos 30 anos nós só queremos concretizar - não grandes obras, nem grandes feitos ou grandes amores. Nós, balzaquianas, queremos realizar as coisas simples, que fazem sentido para nós e para as nossas vidas. Nessa fase nós só queremos que os nossos projetos e desejos se materializem, na medida do possível, sem grandes alardes, fantasias ou pretensões. Nessa idade já sabemos que não podemos fazer tudo, mas que podemos melhorar muitas coisas ao nosso redor, dando um passo de cada vez; e acima de tudo é um momento em que só queremos ser felizes, sem nenhuma ilusão. Mas com muita convicção.



Camila Santos

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Tempo de Travessia


“Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas
Que já têm a forma do nosso corpo
E esquecer os nossos caminhos que
nos levam sempre aos mesmos lugares
É o tempo da travessia
E se não ousarmos fazê-la
Teremos ficado para sempre

À margem de nós mesmos”

Fernando Pessoa

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Solteirice

Não estava nos meus planos me tornar uma solteira convicta. Mesmo porque nem há tanta convicção assim na minha solteirice. Estou solteira por uma questão circunstancial. Afinal, são as circunstâncias que não caminham a meu favor há algum tempo - e que tempo  - para eu encontrar um namorado legal, excepcional e cordial.

Houve uma época em que eu acreditava que a minha solteirice fosse resultado da minha falta de sorte, ou do meu dedo podre, ou ainda do meu excesso de romantismo, idealismo e feminismo.

Já culpei os astros pela minha solteirice e também a numerologia e a tarologia. Talvez a culpa seja das estrelas...

Às vezes acho que estou vivendo um resgate cármico, por ter sido um espírito pouco altruísta e muito egoísta, em outras vidas.

Também já atribui a minha solteirice a feitiçaria, mandinga e rituais de bruxaria (credo!!!!!). Mas vai saber se algum ex-namorado não ficou com raiva de mim e optou por uma atitude covarde assim???

Já condenei os homens pela minha solteirice, com todas as suas babaquices e idiotices. Já os incriminei por falta de comprometimento, respeito e envolvimento. Já os julguei superficiais e amorais. Já os subestimei e superestimei demais, muito além do merecimento de muitos deles.

Também já me crucifiquei pelas minhas escolhas erradas, mal elaboradas e insensatas. Já culpei a tudo e a todos. Mas que tem culpa da minha solteirice? Talvez eu tenha um pouco de culpa nessa história... Talvez a minha postura defensiva trouxe-me aqui, para esse lugar solitário, onde relacionamento sério se tornou algo raro.

Acho que eu preciso ir mais para a balada, tomar mais geladas e ficar menos “trancada” em casa. Talvez eu deva começar a apostar mais nos modelos sensuais e abandonar as roupas casuais. Pode ser, ainda, que esse corte de cabelo curto não me favoreça; preciso começar a deixar o cabelo crescer, o ombro aparecer e o joelho irromper.

Talvez seja a hora de virar a mesa. E entender um simples fato: que todo sapo é um pouco príncipe e que todo príncipe  é um pouco sapo.

Camila Santos