sábado, 25 de junho de 2011

Eu e meu dedo podre


Eu escolho os meus relacionamentos a dedo. No entanto, isso até seria bom não fosse pelo fato das minhas escolhas serem feitas pelo meu dedo podre. Sim, eu tenho um dedo podre! Aliás, é um dedão enorme de podre. É um dedo que consegue ir direto e reto nos homens errados. Naqueles homens que com certeza vão me deixar esperando, sem nenhum constrangimento, e me farão sofrer.

Meu dedo é certeiro. Ele consegue atrair as melhores espécies do sexo oposto. Ora atrai um tipo galinha ora atrai um tipo folgadão, quando não um tipo egoísta, daquele que enxerga apenas o seu próprio umbigo.

As últimas espécies que meu dedinho atraiu foram marcantes. Um tinha o ego lá nas alturas, se achava um Deus - a última coca-cola do deserto. O outro gostava tanto de si mesmo que parecia a própria reencarnação do Narciso. Teve também o cara de pau comprometido que desejava compartilhar o seu amor entre eu e a sua namorada.

Por um tempo eu até pensei que meu dedo podre tivesse me dado folga, mas depois percebi que meu dedinho tinha apenas me dado uma trégua, para eu ganhar fôlego, até que o próximo cidadão aparecesse.

Dessa vez meu dedo podre mirou em tipo tímido. Sabe aquele sujeito com jeito de bom moço? Até agora eu não sei onde eu estava com a cabeça para não ter desconfiado a tempo deste cidadão! O tipo bom moço pisou na bola, fez feio. Mostrou ser uma coisa quando na verdade era outra. Por um tempo eu até acreditei que o tipo “bom moço” merecia estar perto de mim. No entanto, foi engano meu e do meu dedo.

Camila Santos